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O Despertar das Mulheres Surdas no Brasil

Shirley Vilhalva é Professora Surda.
É uma das autoras do primeiro livro de Língua de Sinais de MS.
"Libras - Língua Brasileira de Sinais com Dialeto Regional de MS"
A história consagra o dia 8 de março de 1857 como o Dia Internacional da Mulher. Foi em Nova York /EUA que operárias de uma tecelagem entraram em greve para reivindicar uma jornada menor e melhores condições de trabalho, mas mesmo acuadas pelo ato dos patrões e da polícia, que trancaram as portas e atearam fogo no edifício, matando-as, as mulheres, que estavam dentro da fábrica, teceram uma nova trajetória de vidas para gerações posteriores: fizeram com que esse dia ficasse na história. Mas a luta continua e, hoje, apesar das mulheres terem avançado e ocupado cada vez mais espaços, elas ainda são discriminadas.
Foi na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em 1910 na Dinamarca, em que a ativista alemã Clara Zetkin propôs a criação de uma data comemorativa internacional que hoje é celebrada oficialmente em quase que todo o mundo, sendo inclusive data oficial reconhecida pela ONU.
Após essa conferência, no Brasil, como na maior parte do mundo, foram adquiridos direitos e garantias, um deles é o divórcio, que é uma dissolução do vínculo conjugal, e que depende de uma decisão absolutamente particular dos casais. As garantias que se destacam foram o direito integral de saúde, através da rede pública, educação, cultura, trabalho com remuneração justa entre outras.
Ações Públicas Pioneiras:
A Coordenadoria de Políticas Pública para as Mulheres foi criada pelo Governo Popular de Mato Grosso do Sul para combater as formas de discriminação e desenvolver projetos de política pública que promovam os direitos e a autonomia das mulheres. Responsável em elaborar, propor, articular e coordenar políticas públicas para MULHER foi um exemplo pioneiro e com certeza de fundamental importância.
O grupo de Mulheres Surdas de Campo Grande, em conjunto com a Coordenadoria de Políticas Pública para as Mulheres, Secretaria de Estado de Saúde e CAS/SED/MS, organizou a primeira mobilização de Mulheres Surdas em Campo Grande/MS.
I Enconto Latino Americano de Mulheres Surdas Líderes:
No dia 30 de outubro de 2004, aconteceu o I Encontro de Mulheres Lideres de Campo Grande/MS, que teve o objetivo de apontar as necessidades e elaborar as propostas a serem encaminhadas para o I Encontro Latino Americano de Mulheres Surdas Lideres, nos dias 18 e 19 de novembro de 2004 em Belo Horizonte – MG. A Coordenação do Grupo de Mulheres Surdas de Campo Grande contava com Clara Ramos, Helen Ballock e Shirley Vilhalva.
No Brasil, a organização das mulheres surdas foi motivada através da FENEIS e do Curso Womens International Leadership promovido pela Mobility International Development and Disability – Miusa. Foi no curso que surgiu a idéia de um encontro de líderes surdas latino-americanas e, pela primeira vez na história, foi realizado o I Enconto Latino Americano de Mulheres Surdas Líderes. As reivindicações deste encontro pioneiro foi levado ao V Encontro Latino Americano de Surdos que aconteceu de 21 a 27 de novembro de 2004 em Belo Horizonte (MG).
O I Encontro Latino Americano de Mulheres Surdas Líderes teve como objetivo principal debater a realidade social da mulher surda na América Latina com ênfase na saúde, violência, educação, sexualidade, política, direitos, cidadania e participação. O intuito principal é o de desencadear movimentos pela mulher surda nos países latino-americanos. Presentes ao encontro mulheres surdas representando o Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. A Coordenação Geral foi de Gladis Perlin, única professora doutora surda brasileira até a presente data, representante da FENEIS.
As mulheres Surdas que coordenaram os grupos de trabalho em 2004 foram - Shirley Vilhalva (MS) -Saúde Integral da Mulher Surda, Flaviane Reis (GO) - Violência Contra a Mulher Surda, Gisele Rangel (RS) - Poder e Participação Política, Karin Strobel (PR) - Gênero e Educação, Carolina Hessel (RS) e Sandra Lúcia Amorim (SC) - Direitos e Cidadania, e, finalmente, Kátia Pinheiro (CE) -Ciência Cultura e Comunicação.
Através desse movimento foram surgindo novas trajetórias como a criação de uma lista de discussão: direitos_mulheres_das_surdas@yahoogrupos.com.br tendo como Cordenadora Geral Salete Neves Fernandes e a realização do Iº Simpósio Acessível da Saúde da Mulher D.A/Surda em 12 de março de 2005 em São Paulo promovido pelo Grupo de Trabalho Espaço Mulheres D.A./Surdas da ATRADEF e AMTESP- SP.
Conquistas Legais:
Protocolo de Atuação Conjunta Nº 01/2004 “Capacitação em Libras”
Cria a oportunidade da gestante surda ter atendimento através do SUS com Libras conforme DO/MS 6364 de 11/11/2004
Protocolo de Atuação Conjunta Nº 02/2004 “Amamentação sem Fronteiras”
Cria a possibilidade de realização de palestras e/ou atividades educativas pertinentes ao aleitamento materno através das equipes multiprofissionais que trabalham com o Aleitamento Materno em Libras. Oportunizando as orientações em Libras no:
- pré-natal – preparação da mãe e/ou casal para as mudanças que ocorrerão desde a gestação ao nascimento (mudanças do corpo durante a gravidez, vida sexual da gestante, expectativa da família, a gestação, o aleitamento materno, o manejo básico da amamentação, a importância nutricional, afetividade, questões financeiras e praticidade da amamentação;
- planejamento familiar;
- direitos trabalhistas da mulher que está amamentando;
- aleitamento materno exclusivo até o 6º. Mês de vida e de forma continuada até aos 2 anos, ou mais, com a introdução de novos alimentos.
Homenagem às mulheres guerreiras:
CAROLINA HESSEL
(Poetisa Surda)
Acordem, belas mulheres
Hoje não é mesmo dia como todos os dias...
Acordem, belas mulheres, está na hora
de mudar na vida das mulheres....
Lutem para apoiar outras belas mulheres!
SHIRLEY VILHALVA
(Poetisa Surda)
De menina sapeca
Que transborda beleza.
Transformando menina-moça-mulher.
Despertando em si a
Mulher Surda, guerreira, acima de tudo Mulher.
Mais informações: direitos_mulheres_das_surdas@yahoogrupos.com.br
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