Matérias de Destaque
Artigo: A escola inclusiva é uma boa utopia.
Mesmo sem integrar o programa e sendo a primeira forma de comunicação apenas para cerca de 30 alunos, a língua gestual e parte integrante da vida da EB@, 3 Nicolau Nasoni, no Porto. “ Toda gente sabe o seu alfabeto”, explica Conceição Souza, presidente do Conselho Executivo. E não há nenhuma ação de formação destinada a docentes sobre este tema que não venha a acolher também estudante e funcionários.
A escola tem já uma longa experiência na inclusão de surdos mas suas turmas, e para os outros colegas esta e uma realidade “normal” . Tanto que ate comunicam na língua deles, usando-a também em circunstâncias onde o silêncio e o segredo são a alma do negócio. Os cerca de 30 alunos da Nicolau Nasoni que tem deficiências auditivas, não são os únicos com necessidades educativas especiais: mais de dez por cento dos cerca de 500 estudantes do estabelecimento principal do Agrupamento Vertical da Antas recebe apoio diferenciado. A educação especial é, por isso, uma parte integrante de toda filosofia da escola e “ mais uma valencia num espaço que queremos globalmente inclusivo”, adianta Conceição de Souza. O Agrupamento Vertical conta, para alem da EB2,3, com duas escolas do primeiro ciclo e dois infantarios, indo os docentes responsáveis pela parte das necessidades educativas especiais a todos os estabelecimentos.
Existem situações muito diversificadas na Nicolau Nasoni. Se há casos em que os estudantes seguem o mesmo programa que os colegas de turma, outros alunos tem um projeto educativo individual, integrando uma turma de currículos funcionais. Ainda assim, estes dez alunos que tem um percurso alternativo na escola, juntam-se sempre que possível aos outros colegas. “Nao constituem nenhum núcleo fechado”, explica Conceição Melo, professora de Educacao Especial.Participam das atividades de sua turma de origem, mas apenas nos casos en que existe uma “inclusão efetiva”, ou seja, apenas em disciplinas em que possam tirar proveito dessa presença.
Os currículos funcionais oferecem ainda a possibilidade de formação em áreas como pastelaria e jardinagem (cursos que são também ministrados, enquanto diploma técnico-profissional equivalente ao 6o e 9o ano, a alunos que não concluem a escolaridade obrigatória). O percurso a efetuar e definido no inicio do ano, em colaboração com os pais do aluno, é ajustado ao longo do ano letivo em função das respostas e interação.
As realidades dos alunos desta turma são varias e vão desde a deficiência mental profunda a paralisia cerebral, passando pela distrofia muscular. Em outros casos – em que, por exemplo, não esta afetada a capacidade intelectual, mas apenas a mobilidade-, a escola proporciona medidas de apoio, nomeadamente a nível informático. Outras situações requerem, em função das competências manifestadas pelo aluno, adaptações curriculares. O caso dos surdos é particular na Nicolau Nazoni, havendo mesmo a funcionar na escola o Núcleo de Apoio a Criança com Deficiência Auditiva. Estes alunos contam com dois professores de apoio e um intérprete de língua gestual. Uma vez por semana tem ainda uma aula com o professor regular para apresentação antecipada dos conteúdos, de forma a ultrapassar as dificuldades existentes em termos de comunicação. A informática e usada regularmente e estes estudantes tem mesmo a possibilidade de falar com outras crianças com deficiência auditiva, na videoconferência. São alunos sem problemas de integração e, assinala Paula São Pedro, interprete de língua gestual, “os trabalhos do grupo resultam, o que significa que há comunicação entre eles”. Por outro lado, as turmas adaptaram os trabalhos de pares, ou seja, uma forma de tutoria em que os melhores alunos ajudam os colegas com deficiências auditivas, “ O apoio e a inclusão por parte dos outros são tão espontâneos que as vezes nem lhe damos o real valor”, reconhece Conceição Melo.
Situada na zona oriental do Porto, esta escola recebe, contudo, alunos vindos de fora da sua área de influência, ou sejam de varias partes da cidade e mesmo de outros conselhos, como a Lixa, Paredes, Castelo de Paiva e Pacos de Ferreira. “O nosso projeto tem alguma visibilidade exterior”, afirma Conceição Sousa, que reforça a filosofia de que “ a escola pública é para todos e nós trabalhamos para os muito bons, para os médios e para os menos bons”, Mesmo que a escola inclusiva seja uma utopia, isso e ótimo porque só assim sonhamos em fazer o melhor
|