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Educação
Inclusão

A Feneis tem o seguinte posicionamento com relação às propostas de Educação Inclusiva para Surdos e de Integração de alunos Surdos na Escola Regular:

Os alunos Surdos devem ser atendidos em Escolas Bilíngües para Surdos, desde a mais tenra idade. Estas escolas propiciarão às crianças Surdas condições para adquirir e desenvolver a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), corno primeira língua, e para aprender a Língua Portuguesa (e/ou outras línguas de modalidades oral-auditiva e gestual-visual), corno segunda língua, tendo oportunidade para vivenciar todas as outras atividades curriculares específicas de Ensino Pré-escolar, Fundamental e Médio em LIBRAS.

O Ensino Médio e o Ensino Superior, nesse momento de transição, podem ser efetuados em Escolas e em Universidades de Ouvintes, desde que o Serviço de Intérpretes de LIBRAS esteja presente em todas as salas de aula que atendam a alunos Surdos, urna vez que, na situação atual, não existem profissionais que trabalhem em áreas específicas e que tenham domínio em LIBRAS, dificultando a proposta de Educação Bilíngüe em Escolas para Surdos nos níveis médio e Superior, como já existe em outros países.

Este posicionamento fundamenta-se nos seguintes pressupostos teóricos já amplamente discutidos e aceitos por pesquisadores e professores de instituições nacionais e internacionais:

* As Línguas de Sinais são línguas naturais das Comunidades Surdas. Estas línguas, com regras fonológicas, morfológicas, sintáticas, semânticas e pragmáticas próprias, possibilitam o desenvolvimento cognitivo da pessoa Surda, favorecendo o acesso destes aos conceitos e aos conhecimentos existentes na sociedade.

* Pesquisas lingüísticas têm demonstrado que as Línguas de Sinais são sistemas de comunicação desenvolvidos pelos Surdos em cada Cultura Surda, constituindo-se em línguas completas com estruturas independentes das Línguas Orais. Essas línguas gestuais-visuais possuem sinais que, juntamente com expressões corporais e faciais, expressam os sentidos do pensamento que são captados pela visão e decodificados a partir dos contextos onde estão sendo utilizados.

* As línguas são consideradas naturais quando próprias das comunidades de falantes, que as têm como meio espontâneo de comunicação, podendo ser naturalmente adquiridas, através do convívio social, como primeira língua (ou língua materna), por qualquer um de seus membros, desde a mais tenra idade. Entretanto, um grande número de pessoas ouvintes ainda apresentam dificuldades em aceitar as Línguas de Sinais devido a influências sociais e a preconceitos diversos.

* O desrespeito pela Língua de Sinais, fruto de desconhecimento, gerou preconceitos. Pensava-se que este tipo de comunicação não poderia ser língua e que se os Surdos ficassem comunicando-se desta forma (por "mímica"), não aprenderiam a língua oficial de seu país. Mas, pesquisas desenvolvidas nos Estados Unidos e na Europa. mostraram o contrário.

* O desenvolvimento cognitivo, afetivo, sociocultural e acadêmico das crianças Surdas não dependem necessariamente da audição, mas sim do desenvolvimento espontâneo da sua língua. A Língua, de Sinais propicia o desenvolvimento lingüístico e cognitivo da criança Surda, facilita o processo de aprendizagem de Línguas Orais, serve de apoio para a leitura e compreensão de textos escritos e favorece a produção escrita.

* É essencial para as crianças Surdas utilizarem a Língua de Sinais de sua comunidade com seus pais, com os profissionais da área educacional e com as pessoas de convívio mais próximo para que se desenvolvam como as crianças ouvintes.

* É de fundamental importância a interação entre as crianças Surdas e os Surdos adultos (principalmente os envolvidos nas lutas pelos direitos à cidadania e a vida digna), pois estes atuarão como modelos da Identidade Surda e da Cultura Surda.

* A Educação de Surdos está sendo repensada devido ao reconhecimento das Línguas de Sinais e à mudança de postura frente à surdez. O modelo de Educação Oralista que transformava a criança surda em "ouvinte deficiente", uma vez que ela era um paciente que precisava de tratamento em clínicas especializadas para a "normalização" está sendo deixado para trás. O Surdo não é visto mais como aquele a quem a falta da audição precisa ser superada; mas como um ser eficiente, que se comunica por outro canal e, conseqüentemente, tem outra língua.

* O Bilingüismo, tal como entendemos, é mais do que o uso de duas línguas. É uma filosofia educacional que implica em profundas mudanças em todo o Sistema Educacional para Surdos. Enquanto estas mudanças não se efetuarem, estaremos em plena fase de transição. Tais mudanças não podem ser instaladas de uma só vez. Dependerão da auto-crítica dos profissionais da área, do desenvolvimento das pesquisas sobre as Línguas de Sinais e de metodologia e materiais didáticos específicos para Surdos.

 


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